28.6.11

anti-RØCIPES

Manjar de coco
Banana assada

por Mariana Pimentel

Para terminar o desenho do menu que iniciei aqui e continuei aqui, disponibilizo agora as receitas das ultra-simples sobremesas que fecharam o menu brasileiro do primeiro e oficial Anti-Restaurant Nova Criação™:


Numa panela, leva-se a ferver 1 litro de leite, umas 10 colheres de sopa de açúcar branco, uma garrafinha de leite de coco e cerca de 100 gramas de coco ralado. Quando começar a levantar fervura, adiciona-se muito devagar cerca de 6 colheres de sopa de amido de milho previamente dissolvidas numa chávena de leite. Mexe-se delicadamente e sem parar. Quando começar a engrossar, apaga-se o lume e continua-se a mexer ao sabor do calor residual. A receita original pede que se despeje a mistela para dentro de uma forma untada com água gelada, que depois se leva ao frigorífico durante duas horas para ser desenformada e servida em forma de pudim "old-fashioned-tele-culinária 1988". Eu e a Mariana não quisemos, claro, e então distribuímos o manjar por vários copos individuais, gelámos e servimos com coco ralado, hortelã e confettis coloridos, que sempre é mais "new-fashioned-gay-pride 2002". Já as bananas levaram um valente golpe longitudinal na casca, uma chuva torrencial de açúcar e canela e uma assadela a 180º graus, até ficarem com o aspecto deliciosamente carbonizado da imagem. Comem-se assim mesmo, à colherada, servidas com mais açúcar e mais canela.


"Anti-Restaurant" é um projecto ESTRUTURA.

27.6.11

auto-RØCIPES

Scones "Susana Mendes Silva"
Smoothie de morango & basílico para acompanhar o amor
Quatro manteigas

As iguarias que acompanharam o chá em casa da Susana Mendes Silva, num programa dedicado ao amor que se perdeu no éter dos ficheiros corrompidos. Alinhamento completo do programa aqui.
























Os meus scones, como se pode ver na imagem, não têm a forma de scones-de-salão-de-chá-dondoca ali da zona da Lapa. Odeio essa merda. Tomar chá em sítios cor-de-rosa (ou qualquer outra cor da cueca da estação da avó) dá-me voltas ao estômago. Os meus scones são assim a modo que uns pães, ideais para partir em duas fatias, besuntar com manteiga e comer. Estes que fiz para a Susana (e que ficaram com o nome dela) tiveram uma adição especial: usei partes iguais de manteiga e óleo de sésamo e polvilhei-os com sementes de sésamo brancas e negras imediatamente antes de irem ao forno. Para acompanhar, aromatizei manteiga (da verdadeira; nada de margarinas dietéticas ou sucedâneos gordurosos feitos à base de soja) com 4 ingredientes diferentes: canela, mel, açúcar mascavado com limão e noz-moscada com laranja. Misturo os aromas na manteiga com a ajuda de um garfo; nada de usar batedeiras e nada de derreter a manteiga. Guardo as manteigas no frigorífico protegidas com película aderente e retiro-as só na altura de servir. Ainda pus morangos cortados em quartos a marinar em sumo e raspa de limão, açúcar, balsâmico de morango e basílico picado grosseiramente. Metade dos morangos foram servidos assim, nos seus sucos; a outra metade foi transformada em smoothie. A Susana ficou encarregue das infusões. Comemos tudo enquanto falámos sobre amores, amantes e outros dramas mexicanos. Provas sensuais e absolutas:























1.6.11

CHEF RÓ GOES ALENTEJO

THE APOCALYPSE

Em jeito de adenda ao último diário de bordo montemorense, aqui fica a season finale do TV show "Vou À Tua Mesa", onde Chef Ró explica a confecção de um granizado de licor de granito de Montemor-o-Novo, apelidando-o de "Granitta Granittica". Infelizmente, o Ministro da Comida Nuno Miguel não o deixa terminar e interrompe a emissão para um último e apocalíptico Aviso à Na(vega)ção:



DECRETO LEI nº 378/011
PARA A ABOLIÇÃO DA ARTE

Art.º 1 — A função primordial deste decreto de abolição da arte é destruir todos os mitos culturais com os quais o poder cristaliza a sua imagem de superioridade e inteligência; a arte é o trono em que o poder se senta para seu bel-prazer.

Art.º 2 — Fica claro que a diferença entre esta abolição da arte e todas as anteriores tentativas de destruição ideológica (especialmente o Dadaísmo), tem como fundamento a aliança deliberada entre a eliminação dos valores estéticos com a possibilidade de reinvenção da existência.

Art.º 3 — Não tenhamos ilusões: a maior parte dos críticos vão continuar a agir como se a arte não tivesse sido abolida, como se não pudesse ser abolida; a maior parte dos artistas vão continuar a acreditar no carácter "artístico" das suas produções industriais; a maioria do público amante da arte e também, como é evidente, dos compradores, vão continuar a ignorar o facto de que a arte foi abolida no nosso tempo. É por isso essencial a formação de milícias de elite que procedam à abolição activa da arte, e que usem as máquinas de produção das indústrias criativas de forma a que estas entrem efectivamente em total contradição consigo mesmas.

Art.º 4 — Sim… cão que ladra não morde. Pensavam que um século de falsas tentativas de suicídio eram só ameaças? A intenção não é destruir a lei da produção, mas inverter o seu curso de forma a que se dirija para a realização sensual e absoluta do gozo.