15.10.11

MC RØ

BRITNEY SPEARS vs. LADY GAGA
Uma sobremesa que é uma verdadeira indústria criativa.


[Receita incluída no perfil gastronómico do concorrente Rogério]


No filme de 2007 do realizador brasileiro Marcos Jorge (“Estômago”), conta-se a história de como um vagabundo acabado de chegar do campo à cidade se transforma num chef de cozinha. Durante uma das aulas, o tutor explica-lhe o porquê da cozinha ser considerada uma arte, dando para tal o exemplo do pintor que gasta 100 reais em tintas, para depois vender o quadro por 100 mil. “Isto é arte!”, diz ele entusiasticamente. E continua, afirmando que na cozinha acontece exactamente a mesma coisa: o célebre “Romeu & Julieta” (queijo Minas com goiabada Cascão) transforma-se em “Anita & Garibaldi” com a simples substituição do Minas por um Gorgonzola. E é assim que um doce de “boteco” se transforma numa sobremesa sofisticada, permitindo ao dono do restaurante poder quadruplicar o preço sem grandes traições morais. Não se trata aqui de vender gato por lebre, trata-se sim de fazer ascender o gato à categoria de lebre, o que é bastante diferente. Inspirando-me nestes pressupostos, decido agarrar em dois produtos massificados da cultura pop contemporânea que competem arduamente pelo pódio (assim se anulando dialecticamente), para criar uma sobremesa que vive no atrito simbiótico de um amor impossível entre duas coisas que na verdade são uma só. Mas como o que importa na gastronomia (tal como na arte) é a assinatura, então não mudo rigorosamente nada à receita, só o invólucro exterior (título + legenda). Assim sendo, “Britney Spears vs. Lady Gaga” são 3 discos de goiabada e 3 discos de Gorgonzola de dimensões o mais idênticas possível e sobrepostos em torre. Assinado por baixo: Rogério Nuno Costa. Mas sendo isto uma receita-readymade, gosto de lhe adicionar um último elemento disruptivo e irónico: arranco a coroa a uma Nossa Senhora de Fátima de plástico e coloco-a em cima da torre. Caberá agora ao espetador/comensal decidir quem é o queijo e quem é a goiabada. Comer ao som de um mashup qualquer. Só assim a arte poderá um dia ascender à categoria de gastronomia.


©Chef Ró, 2011

9.10.11

MC RØ

ESPECTÁCULO DE TEATRO
Uma cabidela a querer ser fine cuisine, ou uma cabidela-ficção. 

[Receita incluída no perfil gastronómico do concorrente Rogério]


É importante começar por matar a galinha, com determinação e sem medo de ser humilhado publicamente pela Sociedade Protectora dos Animais ou outro organismo qualquer que gosta de comer carne sem lhe ver o sangue. Não é concebível a confecção de cabidela sem uma galinha criada no campo, de preferência pela própria pessoa que a vai cozinhar; de outro modo, não será uma cabidela, será “sangue cozinhado”. Existem várias técnicas para degolar uma galinha, sendo que a mais eficaz é a que introduz a cabeça do animal numa espécie de funil de plástico, assim permitindo aproveitar todo o sangue. Este é de imediato misturado com vinagre de vinho tinto e colocado num recipiente fechado, longe da luz e do calor. A galinha é depois carinhosamente depenada e escaldada. Parte-se o bicho em “rações”, que se limpam de peles. Para esta receita, aproveito só os peitos do animal e as miudezas (o resto congelo). Faz-se um refogado forte com cebolas, alhos, colorau, louro e azeite, no qual se cozinham as partes do frango até que fiquem douradas. Salga-se e apimenta-se. Molha-se com vinho verde de Amares, reduz-se o lume e tapa-se, deixando cozinhar durante mais 20 minutos. Retira-se o frango da panela, desfiando os peitos e picando as miudezas. Reservam-se. Retira-se a folha de louro da calda onde o frango cozinhou e tritura-se tudo com a varinha mágica. Acrescenta-se dois a três copos de caldo de galinha morno, até se conseguir uma mistura líquida, mas aveludada. Faz-se aqui um pequeno intervalo no espectáculo para tomar um café e esticar as pernas. A segunda parte é mais emocionante, porque é nela que a galinha portuguesa vai querer voar mais alto do que a tradição lhe permite. Numa outra panela, refoga-se meia cebola picada em partes iguais de azeite e manteiga, juntam-se 4 chávenas de arroz arbóreo e deixa-se crepitar durante alguns minutos, mexendo sempre. Quando o arroz abrir, molha-se com um copo de vinho verde de Amares e deixa-se evaporar. Coloca-se a calda de frango novamente no lume brando, aquecendo-a. A partir deste instante, vão-se adicionando conchas de calda ao arroz, nunca parando de mexer até que o líquido evapore e a mistura peça mais, mas sempre com bastante delicadeza pós-dramática. Quando faltarem duas conchas de calda, mistura-se o frango desfiado e as miudezas picadas no arroz, mexendo bem. Uma concha de calda depois, juntam-se 3 colheres de sopa bem cheias de queijo mascarpone e envolvem-se no arroz. Por último, coloca-se o sangue avinagrado e deixa-se que o mesmo dê uma acentuada cor acastanhada ao risotto. Testa-se a consistência do bago e, se ainda precisar de mais algum tempo de cozedura, coloca-se mais calda. Caso contrário, retira-se do lume e deixa-se descansar durante 5 minutos, tapado. Entretanto, misturam-se 2 colheres de sopa de queijo parmesão com 1 colher de chá de farinha e outra de sangue avinagrado, até se conseguir uma pasta ligeiramente granulosa, que se leva a derreter numa frigideira anti-aderente até se conseguir a forma de um pequeno crepe, que se aloura dos dois lados. Retira-se imediatamente do lume e, com a ajuda do rolo de cozinha, dá-se-lhe a forma operática de um cilindro. Deixa-se arrefecer, até se transformar num crocante. Coloca-se uma porção do risotto de cabidela num prato fundo, decora-se com o crocante-farinhato e termina-se com uma chuva contida de salsa picada. É muito importante dar este prato a provar sem explicar rigorosamente nada; é que os espectáculos são como as salsichas: é melhor não sabermos como são feitos! Este risotto-ficção é bom para comer sentado no sofá a ver o Masterchef.

©Chef Ró, 2011

Mais em www.rtp.pt/masterchef



Fotos © RTP

8.10.11

CHEF RÓ DE VOLTA AO MINHO

#3.

...e antes de se pôr com teorias que já são "tão 2011" que caem de velhas, recicla o que escreveu em 2006, ano que deveria ter revelado um ponto final (sinónimo de ponto de fuga), mas que se ficou apenas por uma promessa adiada de felicidade. Foram precisos cinco anos de corrupção geo-emocional para chegarmos até este preciso instante em que se escrevem sumários, resume-se a matéria dada e sintetiza-se a dialéctica cosmogónica numa arrogante correcção retroactiva da realidade. Em tempos, o espectáculo terminava assim:





...o que é mentira (revelação também ela retroactiva): o ponto final (sinónimo de ponto de fuga) consistiu na verdade numa suspensão da crença (um dia o Nuno Miguel explicar-nos-á isto melhor), ou seja, cinco anos a fazer de conta. O "Vou À Tua Mesa" começou onde terminou o "Vou A Tua Casa", e isso implicou uma deslocação geo-emocional do sentido, óptico e semiótico: das artes para os ofícios, e sem merdas nostálgicas... Cinco anos de suspensão da crença depois, aqui estou eu, em Amares, a fazer performances (que já não são "performances") para as vaquinhas. Sela-se o dispositivo confessional a lacre (imagino voltar a abrir a carta lá para meados de 2017...) e o universo recomeça lentamente a sua marcha normal. Ou seja, leva-se com a merda (mais ou menos nostálgica) toda em cima. Tempo, portanto, para reciclar:

2003—

Estou nervoso. Não sei se vá. [...] Tenho medo de me enganar no número da porta. [...] Deve ser do ar... Cá dentro há mais ar. Respira-se mais. Há mais cidade cá dentro do que lá fora. E depois eu ponho-me assim, a tentar descobrir as diferenças. Não há. Está tudo igual. Não mudou nada. [...] Por que é que eu te conheço? Por que é que eu te conheço a ti e não outra pessoa qualquer? Há tantas! [...] No dia seguinte, tinha sempre que te reler o capítulo imediatamente anterior ao que tínhamos ficado, porque se não tu já não percebias nada. [...] Pronto. Foi tudo mentira. [...] Já não me lembro do que é ir a tua casa. Lá fora continua tudo em desordem. Cá dentro continua a haver mais ar. Respira-se mais. E por isso é que é mentira. [...] Tem que ser mentira. [...] Aliás, se não for não é, não é nada. [...] Deixaste-me entrar. Eu fui boa pessoa. Deixei-te coisas como que perdidas debaixo dos tapetes, para quando as encontrares. É delicioso saber que vou ficar aqui para sempre, [...] que me vais encontrar debaixo dos tapetes, nos parapeitos das janelas, no pó dos móveis, nas manchas de humidade do tecto, nas ranhuras do soalho. E dentro dos vasos. Nas escadas. Na fachada do prédio. Nos buracos das fechaduras. E nas campainhas que oiço quando alucino e me lembro: de ter mexido nas tuas coisas, de ter respirado o cheiro do teu quarto, de te ter visitado.




2004—
Uma trilogia teatral em forma de mapa-percurso:
—O ponto 'A' é a tua casa;
—O ponto 'C' é a minha;
—O ponto 'B' é aquele sítio impossível onde por ti sou apanhado no meio. Em Lisboa e noutros sítios.




2005
Entre a tua casa — onde estive —, e a minha — onde gostava que pudesses estar —, existe um ponto no meio. Um ponto a caminho. No caminho. Se me apanhares aí, nesse sítio, poderei então contar-te o segredo, desmascarar tudo, e desmascarar-me. Nesse sítio impossível onde é possível respirarmos os dois ao mesmo tempo, quero pertencer ao teu mundo. De forma definitiva e perdida. Não interessa o resto. Interessa o que eu tiver para te contar, nesse instante, e o que tu quiseres que eu elimine de mim. Deitarei fora tanto da minha vida real quanto a tua vontade de ver um espectáculo ditar. E depois será para sempre. Até me fartar. Até te fartares. E a coisa morrer de acordo com as leis naturais do universo.


Todas.



2006
Uma casa em construção, esta, precisa de alicerces vários. Os alicerces não acontecem só no início da coisa, os alicerces espalham-se igualmente pelo resto da coisa. A coisa pode ser só o início da mesma, pode não ter meio nem fim. Ou pode ter o meio e o fim dentro do início. Esta casa está em construção. O objectivo deste nosso encontro é justamente construir os alicerces de uma vida nova, a minha, numa casa nova, esta. O início da construção não tem fim. O início da construção é sempre o fim da construção. Todos nós, aqui presentes, somos o início e somos o fim da coisa. Alicerces pensantes. Primeira pedra. Corte da fita no dia da inauguração. Simultaneamente champanhe e pó. Esta casa é o que é, agora. Há-de ser outra coisa, depois.

“Vou A Tua Casa”-título é o antípoda perfeito da comida que preparo. Quando cozinho, nada é literal; tudo acontece em função de uma qualquer raiz alquímica, que pretende ser perfeita no seu lirismo feito de simbologias várias. Devaneios alquímicos devidamente controlados por regras de temperatura, tempos de cozedura e graus de acidez. Não improviso, invento, o que é bastante diferente. Preocupo-me com as cores e dou uma importância extrema à apresentação. Ao invés, o “Vou A Tua Casa”-título é uma coisa monocromática, por vezes desenxabida, demasiado inacabada, pouco cuidada na sua apresentação. Duas coisas diferentes? Duas coisas iguais? A mesma coisa apresentada de maneiras diferentes? Coisas diferentes apresentadas da mesma maneira?

Chorar de desgosto e rir de entusiasmo podem ser exactamente a mesma coisa. Quando o comboio pára numa estação onde duas pessoas se abraçam, é difícil perceber se se trata de um abraço de despedida ou se de um abraço de reencontro. Entre o tudo e o nada pode existir uma distância de anos-luz. Entre o tudo e o nada pode existir o espaço que me separa de vós, esta mesa. [...] O comboio arranca repentinamente e não tivemos tempo de apurar a verdade...

O terceiro momento seria este: um momento em que se aprende a dizer a palavra trilogia — três vezes logos, três vezes palavra, pensamento e acção. Carneiro, Touro e Gémeos, que sou eu: nasci no dia 17 de Junho de 1978, numa terra verde cheia de montanhas à volta e atravessada por dois rios gélidos. Nessa terra, separada de nós por 5 horas de autocarro, 4 de comboio e 3 de carro, encontram-se as bases teóricas da grande maioria das coisas que digo. Por exemplo: no “Lado A”, faço eu; no “Lado B”, fazemos os dois; no “Lado C”, vens a minha casa e fazes tu. Trilogia, portanto. Ou a mesma palavra conjugada três vezes em três situações temporais diferentes: Carneiro, Touro e Gémeos. Eu sou Gémeos. “Lado A” és tu. “Lado B” somos nós. “Lado C” sou eu. Vens a minha casa e fazes-me.

Actividade dominante: produção de discurso sobre. Vários senhores e várias senhoras comummente me perguntam: “Mas tu vens do teatro, tu vens da dança, tu vens daonde afinal?”. Ao que eu respondo: “Eu? Eu venho de Amares.”



[...] 29 de Maio de 2005. Cheguei a Lisboa em 1996 e inventei a seguinte história: um rapaz e uma rapariga apaixonam-se a bordo de um avião e decidem ficar para sempre juntos no aeroporto, para não terem que desistir de um sonho a favor das vidas de cada um. Tenho a sensação que durante os últimos 10 anos, desisti sempre dos sonhos a favor de vidas de cada um. Da minha, em particular. Comecei a fazer espectáculos (leia-se: comecei a vampirizar a minha vida a favor de uma vontade qualquer de me tornar público) em 2002, a ver se a tornava (a vida) mais particular, mais singular, mais minha. Espectacularizando a vida, coloco-a no mesmo patamar do sonho. Mas ela não é nunca “o” sonho. É antes um revisionismo de sonho adiado, ou desistido. Lisboa, durante os últimos 10 anos, colocou-me sempre perante a insistência do adiamento e perante a insistência do desistido: 10 anos a fazer de conta. Por exemplo: venho para Lisboa com 18 anos porque tenciono saber o que significa viver numa grande cidade — até à data só sabia o que era viver num grande campo. Chego a Lisboa e tenho mais do mesmo. Constato: campo por campo, acho que prefiro o original.

Amares, 29 de Maio de 2005. Concelho situado entre os rios Homem e Cávado, junto às faldas da Serra do Gerês. O clima é suave, apresentando moderada amplitude térmica. Relativamente à pluviosidade, o número de dias de chuva por ano é de 179 dias. Com base nestes valores, poder-se-á dizer que a pluviosidade média anual é das mais elevadas do território minhoto e bastante superior à média verificada em Portugal Continental. Depois de um passeio por terras de Sá de Miranda, irá sentir o aconchego bem típico das gentes minhotas, e usufruir de um vasto cardápio de paladar caseiro que compreende, entre outras, as seguintes sugestões: papas de sarrabulho, rojões à “Minhota”, cozido à “Portuguesa”, arroz de pato, bacalhau à “Abadia”, pastéis de bacalhau, pataniscas de bacalhau, perna de porco assada no forno, cabrito assado no forno, leitão assado no forno, vitela assada e arroz “pica no chão”. Para sobremesa, o concelho de Amares propõe: leite creme queimado, pudim de laranja, arroz doce, mexidos ou formigos, rabanadas, pêras bêbedas, bolo rei, pão de ló, doces de laranja e de romaria e a suculenta laranja ao natural. É nos meses sem “R”, ou seja, de Maio a Agosto, que a laranja de Amares se torna mais saborosa. A cultura das videiras, associada à sabedoria do Homem e à tradição, levaram à criação do Vinho Verde, único no mundo. Tomado como um dos mais importantes aliados da gastronomia, o Vinho Verde deve servir-se fresco. Quanto aos velhos parados nas paragens de autocarro, estão lá desde sempre. São os mesmos desde 1978, desde 1981, desde 1984, desde 1989, desde 1992. Ficam nas paragens para sempre, tal como o casal que eu inventei para Lisboa. Mas enquanto que em Amares as pessoas, de facto, acreditam que o mesmo velho pode estar de 1978 a 1996 a pensar na triste vida que leva desde que nasceu (numa altura em que o cheiro da bosta e os guinchos das vacas abafavam os ruídos longínquos das guerras mundiais, dos foguetões na Lua e do rock ‘n’ roll), em Lisboa obrigam-me a um certo relativismo realista, que a mim sempre me pareceu um tudo ou nada contra-natura... Absurdo. [Pausa de 1 segundo.] O casal que decidiu ficar para sempre no aeroporto, ficou para sempre no aeroporto! Vira-se a página e temos a contra-capa. Se queres mais, voltas ao início. A história acaba assim. Em Lisboa, acham sempre que eu desisto de contar a história. Em Amares, as pessoas acreditam que as histórias são mesmo assim, tal como acreditam que há lobisomens que descem as encostas do Gerês a caminho das casas das mulheres virgens. Ontem, um amigo disse-me que ouviu da boca do João César Monteiro que este não queria ser o Murnau, antes desejava ardentemente ter a felicidade do marido da sua porteira. Eu também não quero ser o Brecht. Quero ter uma vida. Tão grande quanto os níveis de pluviosidade do concelho de Amares. Lisboa não é tão grande quanto os níveis de pluviosidade do concelho de Amares. Quanto o frio de Amares. O cheiro a frio de Amares. Em Lisboa, às vezes, meto-me para dentro das igrejas ou das basílicas mais gélidas, para me esquecer de qualquer coisa, ou então para me lembrar que tive uma educação católica com direito a baptismo, primeira comunhão, comunhão solene e crisma. Mais houvesse, mais teria... Costumo rezar e pedir protecção para os problemas da vida. Qualquer barulho faz-me um eco apocalíptico na alma, mas ainda me lembro de tudo. Das rezas todas. E das regras todas. E depois, nada pode acontecer dentro de uma igreja, porque já tudo aconteceu. Está tudo ocupado e finalizado. Fechado. Nenhum espaço em branco. Qualquer outra coisa seria pecado. A minha catequista da franja e do rancho folclórico "As Lavradeiras” da Casa do Povo de Amares assim o diria. As casas do Senhor são iguais em todo o lado, graças a Deus! Era tão bom se Lisboa fosse uma igreja... Era tão bom se pudesse ser eu o menino do coro, e pudesse fazer o papel de DJ invisível, que escolhe a banda sonora, em vez de ter que levar com as pan pipes da Câmara Municipal...

Fim da folha.