28.9.12

®ECIPES














AVELUDADO DE COUVE-FLOR
C/ CEBOLINHO & AZEITE DE NOZ



Faz parte da minha coleção privada de receitas, aquelas que faço muitas vezes, quase sempre a pedido de familiares e amigos, ainda que com ingredientes-base diferentes (utilizo praticamente o mesmo método para fazer aveludados similares de abóbora, funcho, espargos verdes, cenoura ou ervilhas, por exemplo). Foi com este creme que convenci a minha mãe a gostar de "sopas passadas", uma das conquistas de 2011 (ano do regresso à Pátria natal) de que mais me orgulho. Podia agora fazer um trocadilho parvo com a expressão "sopa passada", mas vou seguir com a receita. Ponho a couve-flor partida em bocados grossos a cozer em leite temperado com uma pitada de sal. A quantidade de leite deve cobrir a couve-flor, apenas. Panela tapada, fogo médio. Reservar quando a couve-flor se mostrar tenra e grande parte do líquido se tiver evaporado. Colocar couve e líquidos na misturadora até se obter um creme aveludado. Levar novamente ao lume, adicionando uma noz de manteiga e corrigindo a textura com uma ou duas golpadas de natas líquidas. Retificar o sal. Muito importante: evitar que o creme ferva! Servir imediatamente... Contrariamente ao comum nos chamados "veloutés", eu não uso qualquer tipo de caldo nesta receita, para não adulterar o sabor subtil da couve-flor. Sirvo com cebolinho picado e azeite aromatizado com noz.

[Este prato foi a entrada da refeição servida no dia 16 de Setembro de 2012 aos comensais Marlene Freitas Monteiro, Andreas Merk, Yannick Fouassier, Lorenzo de Angelis, Paulo Vasques e Dina Magalhães.]

® [Marca Registada]

11.9.12

POP RØ #1


#. Flávio Rodrigues
Sobre funk, putas brasileiras, Nicki Minaj, escravos africanos, eletrobrega e proto-cubismo



#1
“Guaraniaça” Podia Ser O Nome De Uma Dança Tropical
Uma sangria de cachaça & guaraná c/ maçã verde, limas & nectarinas, e um mojito-touch de menta & sal.

#2
Jacaré Contemplando O Pôr-Do-Sol
Acarajés (croquetes afro-brasileiros de feijão-frade fritos em óleo de palma) c/ camarão, em cima de uma mousse de funcho, maracujá & sésamo.

#3
Farofa Lacraia Não Vai Na Praia
Colheres cheias de farofa colorida (bacon, três pimentos, linhaça, croutons de cebola frita).

#4
Canjica Moqueca (Como Se Fosse Uma Catarata Do Iguaçu)
Um caldo claro de camarão & coco, c/ gengibre, alho fresco, mexilhões suados & espuma de limão.

#5
Essa Vaca Brega Que Adora Esfregar A Xareca No Asfalto
Lâminas de cupim marinado em papaia, lima & pimenta verde, em cima de curau salgado de milho & quiabos caramelizados.

#6
Carmen Miranda Descendo Nua A Calçada Portuguesa
Cesto de 3 frutas tropicais grelhadas c/ um zingy sauce de três ervas & shot granizado de Porto Tawny.

#7
Formigas No Pé Dos Moleques: Romeu & Romeu
Gelado formigueiro (coco & pepitas de chocolate) em cima de uma areia de crocante-pé-de-moleque (caramelo & amendoim), c/ picassos de brownie de chocolate & castanha-do-pará em cima de um creme de queijo & goiabada, e um trend-setter de ar de café.

#8
Só Café


Todas as receitas, fotos, vídeos, dicas de moda über-urbana e coreografias porcas nos próximos dias...





10.9.12

® [MARCA REGISTADA]

Um catering personalizado (& privatizado)


para a 8.ª edição do CIRCULAR
[Festival de Artes Performativas de Vila do Conde]
16/30 de Setembro de 2012


Featuring the artists:
Sensible Soccers, Marlene Monteiro Freitas, Tiago Afonso & Jorge Quintela, Daniel Pinheiro & Tiago Bôto, Miguel Pipa, Cláudia Dias, Rafael Toral, Margarida Mestre & Guests



©Filipe Quaresma


® [Marca Registada] dá continuidade à experiência iniciada em 2010 no contexto do projeto "Auto Rádio Alkantara" (produção da Prado/espaço ruminante), na qual Chef Rø cozinhava para e com artistas, idealizando e ritualizando os processos (e resultados) criativos de espetáculos, performances, instalações, manifestos, ou simplesmente ideias, em obras "comestíveis" que eram no final cunhadas com o nome do artista/companhia em questão. Dois anos depois, a operação conceptual mantém-se: como fazer espelhar num prato o pensamento e a prática de um artista? Agora, e sob a égide (retórica) desse pleonasmo que é a “cozinha conceptual”, o Chef deslocar-se-á ao espaço residencial e temporário que alberga os artistas presentes num Festival para realizar, in situ, um serviço de catering personalizado e adaptado às suas necessidades (leia-se: aos seus caprichos, fetiches e paixões gastronómicas). ® [Marca Registada] é também uma experiência relacional/habitacional inspirada na efemeridade subjacente ao ato de comer, em diálogo com a efemeridade subjacente à prática artística tout court. Combustível molecular para o corpo e para a mente. Um exercício sensual e absoluto, que irá fazer ascender a Arte à categoria de Gastronomia (pois o contrário já foi feito). Documentação em tempo (quase) real neste blog, e também:

www.chefro.tumblr.com
www.youtube.com/vouatuamesa




1.9.12

AZEITEGEIST

Chef Rø @ Marco ALEMÃO
curadoria: Teatro Praga


15 de Setembro de 2012
Goethe Institut, Lisboa




A minha relação com a culinária é tecno-emocional. A minha relação com a Alemanha também. As músicas dos Scooter, dos Culture Beat, dos Captain Hollywood Project, dos Mr. President e dos Snap! foram mais importantes para a minha formação an-artística que os escritos do Nietzsche. Não acredito em comida ao som da qual não se possa dançar. E porque não cozinho com o coração, mas com as mãos (e restante esqueleto cerebral), proponho um menu de degustação com data de 1994 (o ano corrente) servido a bordo de um rav’ião Faro/Frankfurt com escala em Ibiza. Uma espécie de inversão dialéctica do sonho mediterrânico: vai o azeite, em car(r)inhos de choc, à Floresta Negra. Um show case interativo de pratos luso-germânicos cozinhado a 180 bpm’s por Chef Rø.